Matosinhos, 27 de fevereiro Espantou-se, ao entrar na sala, mas logo sentiu uma certa desilusão: viu uma plateia com dezenas de filas onde restavam apenas alguns lugares esquecidos ao fundo. Seguiu para lá e acomodou-se. Fixou por momentos o palco que permanecia sem luz, adormecido. Dali conseguia ver. Colocou o casaco sobre as pernas, a mochila junto aos pés e preparou-se para o espetáculo. Havia telemóveis que se elevavam para as efémeras selfies ou que se recolhiam no regaço para os intermináveis jogos. Tudo o que ali se passava era de imediato reduzido a frenéticos reels que se derramavam nas redes pouco sociais. Todos presentes, todos ausentes. Repentinamente, uma onda de imparáveis palmas, ou de gritos guturais, cavernosos, que mais pareciam apoiar a entrada de jogadores em campo. A plateia havia-se tornado num palco desgovernado onde cada ator se tornara protagonista. Não havia espaço para papéis secundários, muito menos para figurantes. Avisos... que não podiam fo...
Histórias da autoria de Jaime Manuel Varejão Ribeiro